terça-feira, 22 de julho de 2008
Oscar Wilde
"A educação é algo de admirável, mas é bom que nos lembremos, de vez em quando, que nada do que é realmente importante saber pode ser ensinado." Oscar Wilde
quinta-feira, 10 de abril de 2008
DOMENICO DE MASI
“Um americano certa vez encontrou um índio que estava pescando e perguntou: Por que você pesca dessa forma, com tão poucos recursos e com este barco velho? Você deveria buscar estudar, conseguir um emprego, construir uma carreira, juntar bastante dinheiro, e daí sim, com toda a infra-estrutura, comodidade e os melhores recursos, poderá pescar com qualidade.
O índio, por sua vez, parou, olhou sua vara de pescar, olhou o rio, viu os peixes que já havia pescado e respondeu: - Caro amigo: pra quê tanto esforço e pra quê tanto dispêndio de tempo e energia, se o meu objetivo final é pescar? E pra quê estudar e trabalhar para outras pessoas, fazendo o que provavelmente não gostarei lá, se lá também não vão ensinar nada que me ajude a pôr em prática aqui, neste lindo rio, que já me fez um feliz índio pescador?” autor desconhecido
A estória que relato acima, que é quase uma parábola, penso que sintetize parcialmente bem as idéias do italiano Domenico de Masi.
Este brilhante sociólogo retrata de maneira simples e objetiva o paradoxo ser e ter, que na sociedade em que vivemos é uma perfeita dicotomia entre ser feliz ou não.
Vivemos num regime pautado no SER para TER ou TER para SER, enquanto que contrariamente, o ser humano, quando retira as vendas dos olhos, percebe que é muito mais do que isso e - SER - envolve muito mais construir a vida criativamente usando todo o potencial, principalmente para o bem.
Uma vez percebidos os dons de uma pessoa, independentemente deles estarem presentes nas artes, na ciência ou até mesmo na religião, De Masi afirma que devem ser enaltecidos, estimulados e jamais renegados, o que infelizmente vimos continuamente.
O teólogo Leonardo Boff refletiu muito bem esta situação, fez uma analogia afirmando que: “o nosso Sistema se baseia na redução do ser humano, de águias em galinhas”.
Toda Educação é voltada à formação profissional, à formação de mão de obra. É notório isso, desde o ensino fundamental ao ensino superior. Domenico sugere que sejam observadas e incorporadas as atividade lúdicas, que provoquem espaço para reflexão e o questionamento e que a educação não seja chata nem penosa e deve ser oferecida por pessoas que amem aquilo que fazem e que façam com verdadeira devoção, pois somente assim poderá haver uma melhora social.
Sobre evolução da Sociedade, De Masi aponta que o Sistema Capitalista e o Socialista não são perfeitos, pois o primeiro sabe produzir, mas não sabe distribuir e o segundo produz mal e distribui bem. Talvez um dia o mundo encontre uma terceira via, em que possa haver um Sistema mais equilibrado, que forme as pessoas pelo dom e não pela produção, em prol de uma economia mais solidária e menos concorrencial.
A linha principal do trabalho de De Masi tem muito enfoque na sociedade pós-industrial, que como ele mesmo afirmou, tem gabarito para criticar, já que ele teve oportunidade de viver no campo quando criança, já adolescente observou a industrialização e pôde observar a evolução no Século XX, para a pós-industrialização, cujo foco principal está no uso do cérebro, diferentemente dos modelos anteriores.
Na sociedade pós-industrial, o capital principal é o capital intelectual, é o capital da criação e, por conseguinte, da criatividade. E por falar nisso, este é o caminho escolhido por De Masi prioritariamente e para fundamentar apresenta o seguinte cálculo também: "Se a vida média útil de um ser humano tem hoje cerca de 530 mil horas, o tempo médio gasto com o trabalho é de apenas 80 mil horas (considerando a jornada universal de 40 horas por semana). Restam 220 mil horas”.
Com estas horas remanescentes, o estudioso sugere que sejam usadas de maneira que provoquem crescimento do indivíduo e este conhecimento adquirido possa permitir que o indivíduo possa buscar alguma forma de promover o encontro entre o trabalho e o lazer, propiciando que a vida não passe em vão. Ele chama isso de “ócio criativo”.
Com o Ócio Criativo, após alguns exercícios, o sujeito poderá encontrar estímulo na sua atividade, poderá criativamente mudar o seu modus vivendi ao ponto em que trabalho e lazer poderão confundir-se, e ao acordar, a pessoa poderá vir a pensar se estará indo divertir-se ou realmente trabalhar.
A teoria de Domenico é excelente e cai como uma luva como reflexão sobre esta sociedade da busca do prazer insaciável, porém com alto custo, mas ele enfatiza que, após alguns raciocínios, poderemos constatar que o melhor da vida é gratuito, como “fazer amor, encontrar amigos, folhear uma enciclopédia, meditar e deixar o tempo correr, sem nenhuma ansiedade”.
O índio, por sua vez, parou, olhou sua vara de pescar, olhou o rio, viu os peixes que já havia pescado e respondeu: - Caro amigo: pra quê tanto esforço e pra quê tanto dispêndio de tempo e energia, se o meu objetivo final é pescar? E pra quê estudar e trabalhar para outras pessoas, fazendo o que provavelmente não gostarei lá, se lá também não vão ensinar nada que me ajude a pôr em prática aqui, neste lindo rio, que já me fez um feliz índio pescador?” autor desconhecido
A estória que relato acima, que é quase uma parábola, penso que sintetize parcialmente bem as idéias do italiano Domenico de Masi.
Este brilhante sociólogo retrata de maneira simples e objetiva o paradoxo ser e ter, que na sociedade em que vivemos é uma perfeita dicotomia entre ser feliz ou não.
Vivemos num regime pautado no SER para TER ou TER para SER, enquanto que contrariamente, o ser humano, quando retira as vendas dos olhos, percebe que é muito mais do que isso e - SER - envolve muito mais construir a vida criativamente usando todo o potencial, principalmente para o bem.
Uma vez percebidos os dons de uma pessoa, independentemente deles estarem presentes nas artes, na ciência ou até mesmo na religião, De Masi afirma que devem ser enaltecidos, estimulados e jamais renegados, o que infelizmente vimos continuamente.
O teólogo Leonardo Boff refletiu muito bem esta situação, fez uma analogia afirmando que: “o nosso Sistema se baseia na redução do ser humano, de águias em galinhas”.
Toda Educação é voltada à formação profissional, à formação de mão de obra. É notório isso, desde o ensino fundamental ao ensino superior. Domenico sugere que sejam observadas e incorporadas as atividade lúdicas, que provoquem espaço para reflexão e o questionamento e que a educação não seja chata nem penosa e deve ser oferecida por pessoas que amem aquilo que fazem e que façam com verdadeira devoção, pois somente assim poderá haver uma melhora social.
Sobre evolução da Sociedade, De Masi aponta que o Sistema Capitalista e o Socialista não são perfeitos, pois o primeiro sabe produzir, mas não sabe distribuir e o segundo produz mal e distribui bem. Talvez um dia o mundo encontre uma terceira via, em que possa haver um Sistema mais equilibrado, que forme as pessoas pelo dom e não pela produção, em prol de uma economia mais solidária e menos concorrencial.
A linha principal do trabalho de De Masi tem muito enfoque na sociedade pós-industrial, que como ele mesmo afirmou, tem gabarito para criticar, já que ele teve oportunidade de viver no campo quando criança, já adolescente observou a industrialização e pôde observar a evolução no Século XX, para a pós-industrialização, cujo foco principal está no uso do cérebro, diferentemente dos modelos anteriores.
Na sociedade pós-industrial, o capital principal é o capital intelectual, é o capital da criação e, por conseguinte, da criatividade. E por falar nisso, este é o caminho escolhido por De Masi prioritariamente e para fundamentar apresenta o seguinte cálculo também: "Se a vida média útil de um ser humano tem hoje cerca de 530 mil horas, o tempo médio gasto com o trabalho é de apenas 80 mil horas (considerando a jornada universal de 40 horas por semana). Restam 220 mil horas”.
Com estas horas remanescentes, o estudioso sugere que sejam usadas de maneira que provoquem crescimento do indivíduo e este conhecimento adquirido possa permitir que o indivíduo possa buscar alguma forma de promover o encontro entre o trabalho e o lazer, propiciando que a vida não passe em vão. Ele chama isso de “ócio criativo”.
Com o Ócio Criativo, após alguns exercícios, o sujeito poderá encontrar estímulo na sua atividade, poderá criativamente mudar o seu modus vivendi ao ponto em que trabalho e lazer poderão confundir-se, e ao acordar, a pessoa poderá vir a pensar se estará indo divertir-se ou realmente trabalhar.
A teoria de Domenico é excelente e cai como uma luva como reflexão sobre esta sociedade da busca do prazer insaciável, porém com alto custo, mas ele enfatiza que, após alguns raciocínios, poderemos constatar que o melhor da vida é gratuito, como “fazer amor, encontrar amigos, folhear uma enciclopédia, meditar e deixar o tempo correr, sem nenhuma ansiedade”.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
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