Paro no semáforo de uma movimentada avenida. Olho para o lado e vejo um menino sujo da cabeça aos pés, ignoro-o e olho para o outro lado e vejo um restaurante fast food com gente entrando e saindo a todo instante. Acelero e passo por um parque. É um complexo de lazer bonito, arborizado, mas algo está errado. Algumas crianças olham os carros, atônitas por alguns poucos centavos. Continuo o meu percurso e avisto ao lado do parque um bairro belíssimo, com casas lindas. Fico com a sensação de que aquele parque fora construído para ser quintal daquelas luxuosas casas. Tudo bem, sem problemas, aliás, é apenas uma observação. Continuo o meu percurso e como estou vagaroso, um ônibus não pára de buzinar atrás de mim. Olho pelo retrovisor e avisto um senhor de meia idade dirigindo o coletivo. Permito que ele me passe e logo adiante vejo que não tem cobrador. Penso: esse senhor dirige e ainda tem que cobrar? Bom, está certo, a empresa quis reduzir custos. Pensamento moderno, reduzir custos. Bom, o motorista/cobrador acelerou, depositou muita fumaça no meu carro porque o motor do ônibus estava desregulado e dei continuidade ao meu passeio. Paro novamente no semáforo e um menino com dois bastões passa a fazer malabarismo. Ele joga duas peças para o alto e uma terceira peça é manuseada com uma das mãos. O menino é muito veloz, muito hábil. Ele termina a apresentação “smart” e se aproxima do meu carro; com a mão direita estendida para o céu pede uns trocados. Acelero e avisto um homem puxando um carrinho com material reciclável. É um carrinho grande, não é bonito, é robusto e tem roda de carro. O carrinho está cheio de material e o homem com cara de cansado, barba por fazer, puxa como se fosse um burro de carga. Continuo o meu caminho e paro novamente no semáforo. Aliás, como tem semáforos nesta cidade. Mas tudo bem, é domingo e não vou estragar o meu dia. Logo à minha frente vejo um templo; ele é bonito, luxuoso e no estacionamento apenas um carro parado, modelo importado. É um carro que vale algumas centenas de milhares de reais. Ao lado da igreja uma faixa escrita: Jesus Cristo te espera! Penso novamente, nossa, mas Jesus não era um pobre Galileu? O que ele tem a ver com tudo isso? Bom, sei lá, talvez eu não tenha lido direito, acho que Jesus era um homem rico de Roma, amigo somente dos afortunados, e morreu de gripe. Quem sabe o maior engano da história ou talvez eu seja o ápice da falta de informação. Ligo o rádio, e com voz calma uma jornalista noticia a morte de um importante político brasileiro. Ela afirma que o homem teve muita relevância no cenário político nacional e que com a morte dele, poderia haver um forte abalo em seu partido por conta da falta de lideranças substitutas. Nossa que coisa, como pode um homem concentrar tanto poder consigo? Aliás, para que serve o poder? O poder é um legitimador do poder fazer? Será que com poder uma pessoa pode tudo? |
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Um simples olhar
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