quinta-feira, 12 de julho de 2007

Igreja x modernidade
Em maio de 2007, recebemos no Brasil o Papa Bento XVI, que permaneceu neste país entre 09/05/2007 a 13/05/2007. Ele veio em nome da CELAM -Conferência Episcopal Latino Americana, onde foram apresentadas diretrizes para a caminhada da igreja conforme orientação do papado. E é sobre isso que cabem algumas observações.

Valorizar as diferentes expressões eclesiais da fé é urgente, porém pouco aceito pela Igreja de Roma. Porque não aceitar as diferentes estruturas culturais dos países? Brasil não é a Europa e tampouco respeitam os grandes teológos desta região. Ao meu ver, os nossos teólogos estão anos luz a frente dessa igreja condenatória de Roma, que não permite reflexões mais ousadas. Quer saber? A resposta é: descentralizar = perda de poder. Cristo tinha realmente preocupação em "ter poder"?

A igreja católica não está em comunhão com a modernidade. Ver muitas homilias e discursos hoje, é um convite para nos ofender moral e intectualmente, por conta de verborragias antiqüadas e sem novidade... A cada dia nossa igreja perde oportunidades reais de "colaborar" com o seu povo, o povo de cristo, pois enrijece as estruturas, hierarquiza, dificulta o discurso, querendo inclusive voltá-lo ao latim. Ah meu Deus, acho que há uma certa arrogância aí muito séria, hostilidade à compreensão, hostilidade à modenidade, hostilidade à mulher.Falando em mulher, começando pela minha casa, eu vejo o quanto o sexo feminino pode agregar à compreensão, à proximidade, à educação, ao amadurecimento. Quantas mulheres que poderiam de fato liderar comunidades cristãs, mas ficam sucumbidas a atividades "inferiores", colaborando sob regras rígidas e com suas atitudes mutiladas, comprometendo seu desejo de servir, aniquilando vocações..

Nossa igreja falha muito com a juventude também, o carisma católico está afetado por uma falta de criatividade. Quando atrai os jovens, os alieniza, colocam cabrestos nas idéias e ceifam a criação. Oh meu Deus, como pode ser assim? A juventude na clandestinidade aos preceitos católicos está aí, fazendo sexo, muito sexo "sem camisinha", bebendo, bebendo muito, porque a igreja ingenuamente deixa de discutir olhando nos olhos dessa juventude transviada às necessidades do "ser feliz", do "ter saúde" e permanecer saudável.A igreja também perde a oportunidade de analisar questões como a homossexualidade com seriedade, dois meses atrás, num canal católico da TV, pude ver um padre contando a história de um gay que se converteu em heterossexual e agora é feliz. Arrasou o discurso quando disse que assim como homossexualismo, "ele vê" curas até de câncer por força da fé! Como é possível colocar no mesmo "bojo" saúde e homossexualidade?Cabe lembrar que a OMS já retirou desde 1993 esta dita opção sexual, do CID. Aliás, por falar em opção sexual, há dois discursos sobre a homossexualidade. Um é que na puberdade, por um desvio psicológico a pessoa passa a se interessar por pessoas do mesmo sexo, e há outra corrente que defende que a homossexualidade está mais vinculada de fato, a questões genéticas, o que eu acredito também, pois conheço gays que levam uma vida muito dura porque todos têm um olhar diferente para ele. E os homofóbicos? A igreja com sua falta de aprofundamento no tema, reforça a homofobia. E reforçar um câncer social que é o preconceito, é pouco saudável. É pouco cristão.

Por último cabe também refletirmos pela falta de diálogo inter-religioso que a nossa igreja deva se amadurecer ainda mais, pois neste tipo de diálogo mora o caminho aberto para a paz! E ontem, o Papa definiu a Igreja católica como a única igreja de Cristo. Falar assim, é tirar a pluralidade do amor de Deus no mundo!

Com fé, um dia, ser católico estará próximo de ser cristão. Só lamento não poder ver esse dia!